Passei anos tentando entender os motivos que fizeram com que minha mãe fosse embora e jamais voltasse para passar pelo menos uma semana inteira comigo.
Sofri sua ausência durante toda a infância e ainda continuo sentindo falta de um laço que não se estabeleceu por falta de convivência.
A falta de afeto fez com que eu me tornasse uma adolescente carente e insegura. Por não ter tido nunca alguém para conversar sobre a vida, me tornei uma adulta travada, totalmente inibida.
Desconstruir todos os meus medos e frustrações me deram um trabalho enorme e ainda continua dando. São os cuidados diários que me fazem enxergar meu valor. O autoconhecimento foi meu guia.
Por vezes me indignei com o descaso aparente da minha mãe, adoeci por falta de afeto dela.
Só consegui entender seus motivos quando passei pelos mesmos problemas pelos quais ela passou: me apaixonei por alguém doente e vi minha vida desmoronar.
Fiquei completamente encantada por alguém que chegou parecendo ser a melhor pessoa do mundo e que se transformou no meu pior pesadelo. Alguém de quem eu não conseguia fugir, embora soubesse de todos os problemas que ele me causava.
Há mais ou menos seis anos iniciei um namoro com um rapaz que não conseguiu ser honesto comigo um dia sequer. No início eu não percebia suas mentiras, já que eram todas bem elaboradas. Depois de um tempo ele já não se preocupava mais em esconder as traições, mas sempre dava um jeito de contar uma história que mudasse a situação que ele mesmo tinha causado e colocasse a culpa em mim. Não entendo como eu caia na conversa dele, mas acreditem, eu caia. Passava dias me sentindo culpada por algo que eu nem sabia direito o que era.
Passados alguns anos, depois de tantas idas e vindas, traições e acertos, ele casou, quando eu menos esperava, quando estávamos numa semana em que fazíamos planos para finalmente nos acertarmos.
Durante o período que ficou casado com a moça que escolheu, não me deixou também. Mantínhamos contato todos os dias. Nunca passamos uma semana sequer sem que saíssemos. Me permiti ficar numa situação que jamais havia cogitado na vida. Me submeti a isso sem perceber que me diminuía por algo pueril.
Ele saiu de casa, continuamos nos encontrando quase todos os dias.
É, ele estava comigo. .. e com outras também.
Um momento feliz com ele, me fazia esquecer dez de sofrimento que ele me causava.
Posterguei o afastamento, negligenciei minha vida, perdi oportunidades porque não tive a força que minha mãe teve quando simplesmente virou as costas pra um amor que só a diminuía.
Minha mãe foi embora e jamais voltou porque sabia que se voltasse não teria forças para sustentar um NÃO quando meu pai se aproximasse.
Hoje eu sei que minha mãe me causou uma dor, mas que me evitou outras mil. Talvez se ela tivesse continuado aqui e tivesse reatado com o meu pai, a vida dela não teria andado, ela não seria a mulher independente que é hoje e nem teria conseguido crescer como conseguiu à duras penas, e sozinha.
Minha mãe se livrou de um amor que a podava, correu pro desconhecido deixando tudo para trás, inclusive eu que até pouco tempo atrás tentava me livrar de um amor que me aprisionava desde que deixei que ele entrasse na minha vida.
Se eu permitisse, ele continuaria comigo, não me abandonaria jamais, mas nunca também ficaria junto. Me acompanharia, teria mil crises de ciúme, continuria sendo extremamente possessivo, mas não saberia permanecer num relacionamento saudável. Jamais teria tempo para os cuidados necessários, já que continua com outras também. Com certeza deve dizer que as ama e cada uma deve acreditar tanto quanto eu acreditava até certo tempo.
Enfim, se sofri por esse amor desumano, também me reaproximei da minha mãe a partir do momento em que consegui entender seus motivos, suas dores que doíam tanto quanto as minhas.
Se perdi tempo por deixar minha vida profissional um pouco de lado por causa dele, me tornei uma pessoa bem melhor. Se não tivesse sofrido tanto, com certeza eu não seria o que me tornei.
Obrigada, Universo, pelo que doeu. Mas obrigada também pela forma com a qual permitiu a minha cura!
domingo, 22 de junho de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
O que eu hesitei em dizer...
E então você percebe que se interessa pela vida de alguem exatamente quando achava que sua rotina não comportava cuidados com outra pessoa que não fosse você.
Os dias ficam mais espaçosos para que o contato se torne possível, o cuidado se faz presente e o interesse em saber do correr dos dias do Outro é constante.
Ainda não sei como isso se deu; essa vontade de estar perto apesar da quilometragem que teima em ficar entre a gente.
A vida é tão inconstante, as coisas são tão solúveis e por saber disso, vivo inquieta. Mas algumas outras coisas, eu sei que são perenes. E é por acreditar na insolubilidade do que se faz com boa vontade, que eu sigo em frente apesar das inúmeras dúvidas que tenho a respeito do Outro.
É um querer bem que deixa penetrar sem invadir. É um cuidado que deixa com que eu perceba o limite exato que o Outro me dá. É uma vontade de estar perto sem ser inconveniente, de cuidar sem prender, de se aproximar sem que o Outro se afaste.
Talvez não seja o caminho certo, mas é o mais colorido, por enquanto. E se não me levar a lugar nenhum, pelo menos eu apreciei as paisagens.
E percebendo a transitoriedade de tudo, só sei que a gente nunca ia se cruzar se não parasse pra se encontrar. Foi preciso que cada um estivesse inteiro e atento.
Quero caminhar contigo.
Quero o teu abraço. Tenho certeza que ele liberta. E depois... ah, deixa o depois pra depois.
Os dias ficam mais espaçosos para que o contato se torne possível, o cuidado se faz presente e o interesse em saber do correr dos dias do Outro é constante.
Ainda não sei como isso se deu; essa vontade de estar perto apesar da quilometragem que teima em ficar entre a gente.
A vida é tão inconstante, as coisas são tão solúveis e por saber disso, vivo inquieta. Mas algumas outras coisas, eu sei que são perenes. E é por acreditar na insolubilidade do que se faz com boa vontade, que eu sigo em frente apesar das inúmeras dúvidas que tenho a respeito do Outro.
É um querer bem que deixa penetrar sem invadir. É um cuidado que deixa com que eu perceba o limite exato que o Outro me dá. É uma vontade de estar perto sem ser inconveniente, de cuidar sem prender, de se aproximar sem que o Outro se afaste.
Talvez não seja o caminho certo, mas é o mais colorido, por enquanto. E se não me levar a lugar nenhum, pelo menos eu apreciei as paisagens.
E percebendo a transitoriedade de tudo, só sei que a gente nunca ia se cruzar se não parasse pra se encontrar. Foi preciso que cada um estivesse inteiro e atento.
Quero caminhar contigo.
Quero o teu abraço. Tenho certeza que ele liberta. E depois... ah, deixa o depois pra depois.
sábado, 1 de março de 2014
Das possibilidades: tudo é questão de escolha.
Desentulhar o coração dá trabalho. Vivemos cheio de resquícios emocionais que devemos jogar fora, mas os guardamos como uma caixa de presente bonita que veio com algo importante dentro e a guardamos também como lembrança. O problema é que quando essas lembranças passam a ocupar espaços sem agregar valor passam a ser inválidas.
Talvez alguém queira nos dar outros presentes, mas nossa casa está tão entulhada que não há onde deixar o pacote. Outros tentaram deixar alguns presentinhos espalhados pela casa, mas nós nem conseguimos percebê-los devido à enorme bagunça em que nos encontramos.
Desocupar o coração, a mente e a alma do que já não nos agrega alegria é difícil. Leva tempo se desvencilhar do que por tanto tempo foi nosso foco.
Quando alguns sentimentos deixam de nos fazer bem, tentamos à duras penas nos agarrar à dor. Achamos que se está doendo é por que é amor. Protegemos esse sentimento de tudo. Fechamos os olhos, trancamos a porta e velamos o pranto até não sabermos mais o que fazer com o vazio que ficou.
Algumas pessoas passam anos postergando a felicidade que se apresenta em outras oportunidades. Pensam que devem ficar exatamente onde estão porque um dia viveram uma história bonita com alguém que resolveu viver uma outra narrativa. Tentam o tempo todo relembrar os motivos pelos quais não foi possível dar uma continuidade à relação, vivem tentando remendar o que não tem conserto.
O apego ao passado pode minar qualquer possibilidade de uma relação bonita.
O apego ao passado é tão nocivo quanto uma droga.
Já vi pessoas definharem por viverem num passado que não tem a mínima possibilidade de se tornar presente, ou mesmo um futuro.
O que se tem de factual aí é a dor, e só!
A dor que extirpa qualquer tipo de relacionamento que se deseja ser saudável. Ninguém que queira uma relação de verdade, consegue ficar muito tempo perto de alguém que não está vivendo integralmente o momento presente. E ninguém que vive no passado consegue dar continuidade ao que está está acontecendo agora.
Desentulhar o coração é uma tarefa árdua, mas é um benefício em prol do seu próprio crescimento. Ninguém consegue ser feliz com o coração cheio de mágoa, ou cheio de lembranças, que se tenta a todo o tempo materializa-las como se fosse possível voltar atrás e fazer diferente, ou apenas continuar de onde foi colocado um ponto final.
Toda narrativa acaba e há tantas outras histórias legais que ainda não conhecemos.
Arrumar os sentimentos, se livrar dos que não nos fazem bem, deixar que outros ocupem lugares onde antes havia dor e impossibilidades é uma sequencia libertadora.
Só consegue viver em paz consigo e com os outros quem busca o autoconhecimento.
Buscar organizar a alma todos os dias é o que há de solução para quem quer desentulhar o coração, a vida...
Deixar para trás o que já não existe, esquecer algumas dores que já nem doem, mas que fazemos questão de lembrar o quanto sofremos quando a ferida ainda estava aberta, perdoar o que já não se pode mudar...
Sorrir e deixar que a vida nos compense com o impossível, ou com o que achávamos ser impossível. rsrs
O Universo só nos contempla com o que merecemos quando desocupamos as mãos para podermos abraçar o que há de vir.
E a felicidade só entra em nossas vidas se houver espaço em nossa casa interior para que o que realmente nos engrandece possa se alojar.
Nós escolhemos se acolhemos ou não o que nos é oferecido. E o discernimento é algo que só tem quem busca se autoconhecer.
Quanto a mim, deixei a porta aberta, desabituei certos hábitos, esqueci o passado e reformei minha casa interior pra receber o que merece ficar. Fiz minha escolha ao jogar tudo fora!
Está tudo limpo e cheirosinho. E quando entrar, por favor, deixe os chinelos com resquícios do passado do lado de fora!
***
Talvez alguém queira nos dar outros presentes, mas nossa casa está tão entulhada que não há onde deixar o pacote. Outros tentaram deixar alguns presentinhos espalhados pela casa, mas nós nem conseguimos percebê-los devido à enorme bagunça em que nos encontramos.
Desocupar o coração, a mente e a alma do que já não nos agrega alegria é difícil. Leva tempo se desvencilhar do que por tanto tempo foi nosso foco.
Quando alguns sentimentos deixam de nos fazer bem, tentamos à duras penas nos agarrar à dor. Achamos que se está doendo é por que é amor. Protegemos esse sentimento de tudo. Fechamos os olhos, trancamos a porta e velamos o pranto até não sabermos mais o que fazer com o vazio que ficou.
Algumas pessoas passam anos postergando a felicidade que se apresenta em outras oportunidades. Pensam que devem ficar exatamente onde estão porque um dia viveram uma história bonita com alguém que resolveu viver uma outra narrativa. Tentam o tempo todo relembrar os motivos pelos quais não foi possível dar uma continuidade à relação, vivem tentando remendar o que não tem conserto.
O apego ao passado pode minar qualquer possibilidade de uma relação bonita.
O apego ao passado é tão nocivo quanto uma droga.
Já vi pessoas definharem por viverem num passado que não tem a mínima possibilidade de se tornar presente, ou mesmo um futuro.
O que se tem de factual aí é a dor, e só!
A dor que extirpa qualquer tipo de relacionamento que se deseja ser saudável. Ninguém que queira uma relação de verdade, consegue ficar muito tempo perto de alguém que não está vivendo integralmente o momento presente. E ninguém que vive no passado consegue dar continuidade ao que está está acontecendo agora.
Desentulhar o coração é uma tarefa árdua, mas é um benefício em prol do seu próprio crescimento. Ninguém consegue ser feliz com o coração cheio de mágoa, ou cheio de lembranças, que se tenta a todo o tempo materializa-las como se fosse possível voltar atrás e fazer diferente, ou apenas continuar de onde foi colocado um ponto final.
Toda narrativa acaba e há tantas outras histórias legais que ainda não conhecemos.
Arrumar os sentimentos, se livrar dos que não nos fazem bem, deixar que outros ocupem lugares onde antes havia dor e impossibilidades é uma sequencia libertadora.
Só consegue viver em paz consigo e com os outros quem busca o autoconhecimento.
Buscar organizar a alma todos os dias é o que há de solução para quem quer desentulhar o coração, a vida...
Deixar para trás o que já não existe, esquecer algumas dores que já nem doem, mas que fazemos questão de lembrar o quanto sofremos quando a ferida ainda estava aberta, perdoar o que já não se pode mudar...
Sorrir e deixar que a vida nos compense com o impossível, ou com o que achávamos ser impossível. rsrs
O Universo só nos contempla com o que merecemos quando desocupamos as mãos para podermos abraçar o que há de vir.
E a felicidade só entra em nossas vidas se houver espaço em nossa casa interior para que o que realmente nos engrandece possa se alojar.
Nós escolhemos se acolhemos ou não o que nos é oferecido. E o discernimento é algo que só tem quem busca se autoconhecer.
Quanto a mim, deixei a porta aberta, desabituei certos hábitos, esqueci o passado e reformei minha casa interior pra receber o que merece ficar. Fiz minha escolha ao jogar tudo fora!
Está tudo limpo e cheirosinho. E quando entrar, por favor, deixe os chinelos com resquícios do passado do lado de fora!
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